segunda-feira, 14 de abril de 2008

A escolha do meu "Onze Ideal"

Desde sempre, existiram no futebol português jogadores de grande qualidade e elevado valor futebolístico, os quais demonstraram, ao longo da sua carreira, extraordinárias capacidades, quer do ponto de vista técnico e táctico, quer do ponto de vista físico e psicológico/mental, tendo a maioria deles conquistado vários títulos importantes e alcançado prestígio e projecção individuais.
Por estas razões, estes futebolistas, uma vez terminada a sua carreira, passaram a pertencer à galeria restrita apenas reservada aos "heróis", àqueles homens e atletas que, à semelhança dos antigos Deuses da Mitologia Greco-Romana, se tornaram imortais e cuja memória perdurará pela eternidade, pois graças aos feitos alcançados "se foram da lei da morte libertando".
Estes jogadores percorreram um longo e árduo trajecto, desde a condição de simples futebolistas, que começaram por ser, até à passagem a "ídolos das multidões", transformando-se, mais tarde, em "lendas", após a sua despedida dos relvados onde passearam toda a sua classe e categoria individuais.
O Campeonato Nacional (agora chamado da Liga) e a Taça de Portugal foram, e continuam a ser, as principais competições, por excelência, onde, ao longo dos anos, se formaram esses "mitos", até atingirem o estatuto de imortalidade só reservado aos eleitos e predestinados, isto é, aos melhores jogadores portugueses de todos os tempos.
Vem esta introdução a propósito de uma iniciativa que resolvi levar a cabo, a qual consistiu no aliciante, irresistível, mas difícil, desafio de escolher o meu "onze ideal" ou a "equipa de sonho" de entre um conjunto de grandes futebolistas portugueses, nomeadamente, daqueles que eu vi jogar (ao vivo e pela televisão) durante as saudosas décadas de 70 e 80, quando eu era ainda uma criança e aqueles jogadores eram, para mim, autênticos "ídolos dos estádios".
Como facilmente se compreenderá, tal escolha proporcionou-me um enorme prazer e satisfação, porém não constituiu uma tarefa fácil, bem pelo contrário, revestiu-se de um grau de dificuldade considerável, pois muitos foram, de facto, os jogadores que, durante aquelas duas décadas, por um motivo ou por outro, se destacaram dos demais e atingiram uma grande projecção e notoriedade futebolísticas. Além disso, uma selecção deste tipo, tanto mais se torna difícil, quanto mais se procura restringi-la a um conjunto de apenas 11 jogadores, uma vez que se corre sempre o risco de deixar de fora jogadores que, porventura, mereceriam também figurar dentro desse lote restrito de "lendas". No fundo, esta escolha esteve dependente, como não poderia deixar de estar, dos meus gostos e preferências pessoais e, por isso mesmo, de natureza subjectiva, variáveis de pessoa para pessoa.
De qualquer maneira, não obstante a saudável diversidade de opiniões que existe e sempre existirá, penso que a minha pré-selecção de 100 jogadores, a partir dos quais fiz a escolha dos onze eleitos, recolherá certamente a unanimidade da maioria das pessoas da minha idade, no que diz respeito aos jogadores portugueses que mais se destacaram na história das competições nacionais e do futebol português, durante as décadas de 70 e 80. Contudo, tenho consciência de, eventualmente, não ter incluído nesta pré-selecção outros jogadores de grande qualidade e categoria que também deixaram a sua marca de classe nos relvados portugueses.
Comecei, então, por seleccionar um lote de 100 futebolistas, distribuídos pelos vários sectores: 17 guarda-redes, 18 defesas laterais, 21 defesas centrais, 25 médios e 19 avançados. Foi, pois, a partir destes 100 jogadores que escolhi os meus 11 melhores, de acordo com as respectivas posições deles em campo, de forma a formar um sistema táctico em 4x4x2. É necessário ter em conta que os futebolistas que foram alvo da minha escolha, referem-se a jogadores que, sem dúvida, marcaram uma época no futebol português e que vimos jogar muitas vezes, ao vivo e na televisão, durante aquelas duas décadas.
Esta minha eleição tem, pois, um carácter, sobretudo, nostálgico e saudosista, pretendendo, acima de tudo, despertar recordações e reavivar memórias inesquecíveis da minha infância e adolescência.
Eis, então, a lista dos 100 jogadores a partir dos quais elegi o meu "onze ideal" ou "equipa de sonho".

LISTA (por sectores e por ordem alfabética)
DE JOGADORES PORTUGUESES DAS DÉCADAS DE 70 E 80

GUARDA-REDES (17): Amaral (Porto), Bento (Benfica), Botelho (Boavista, Sporting e Benfica), Conhé (Sporting e Braga), Damas (Sporting), Delgado (Belenenses e Benfica), Fidalgo (Benfica e Sporting), Fonseca (Porto), Jorge Martins (Setúbal e Belenenses), José Henriques (Benfica), Matos (Sporting e Boavista), Melo (Guimarães, Sporting e Belenenses), Silvino (Setúbal, Guimarães e Benfica), Tibi (Porto), Torres (Setúbal e Porto), Vaz (Setúbal e Sporting) e Zé Beto (Porto).

DEFESAS LATERAIS (18): Alberto (Benfica), Álvaro (Benfica), Artur (Benfica e Sporting), Bandeirinha (Porto), Barão (Sporting), Carlos Pereira (Sporting e Belenenses), Carlos Xavier (Sporting), Fernando Mendes (Sporting e Porto), Gabriel (Porto e Sporting), Inácio (Sporting e Porto), João Pinto (Porto), José Eduardo (Sporting), Mário Jorge (Sporting), Murça (Porto), Pietra (Belenenses e Benfica), Taí (Porto e Boavista), Teixeira (Porto) e Veloso (Benfica).

DEFESAS CENTRAIS (21): Alhinho (Sporting e Benfica), Bastos (Sporting), Bastos Lopes (Benfica), Barros (Benfica), Dito (Braga, Benfica e Porto), Eduardo Luís (Porto), Eurico (Benfica, Sporting e Porto), Frederico (Benfica e Boavista), Freitas (Belenenses e Porto), Humberto Coelho (Benfica), José António (Belenenses), Laranjeira (Sporting e Benfica), Lima Pereira (Porto), Morato (Sporting), Oliveira (Benfica e Marítimo), Samuel (Benfica), Simões (Porto), Sobrinho (Setúbal e Belenenses), Venâncio (Sporting), Virgílio (Sporting) e Zezinho (Sporting).

MÉDIOS (25): Ademar (Sporting), André (Porto), Baltasar (Sporting), Carlos Manuel (Benfica e Sporting), Chalana (Benfica), Fraguito (Sporting), Frasco (Porto), Jaime Magalhães (Porto), Jaime Pacheco (Porto e Sporting), João Alves (Boavista e Benfica), José Luís (Benfica), Litos (Sporting), Marinho (Braga e Sporting), Nogueira (Sporting), Nunes (Benfica e Marítimo), Oceano (Sporting), Octávio (Setúbal e Porto), Oliveira (Porto e Sporting), Quim (Porto), Rodolfo (Porto), Romeu (Guimarães, Benfica, Porto e Sporting), Semedo (Porto), Shéu (Benfica), Sousa (Porto e Sporting) e Toni (Benfica).

AVANÇADOS (19): Albertino (Boavista e Porto), Chico Faria (Sporting e Braga), Costa (Porto), Diamantino (Benfica), Dinis (Sporting), Freire (Sporting), Futre (Sporting e Porto), Gomes (Porto e Sporting), Jacques (Porto e Braga), Jordão (Benfica e Sporting), Manuel Fernandes (Sporting), Marinho (Sporting), Moinhos (Boavista e Benfica), Nené (Benfica), Reinaldo (Benfica), Rui Águas (Benfica e Porto), Seninho (Porto), Vermelhinho (Porto), Vítor Baptista (Setúbal, Benfica e Boavista).

Nota: A seguir ao nome de cada jogador, indica-se, entre parênteses, o clube ou clubes onde esse jogador atingiu maior destaque e projecção, independentemente de poder ter ainda representado outros clubes.

4 comentários:

Francisco Laranjeira disse...

Obrigado por teres colocado um senhor a defesa esquerdo chamado Taí. Esse senhor é meu pai. Obrigado pela referência. Abraço.

ALEXANDRE disse...

Não tem que agradecer, pois o seu pai foi, de facto, um grande jogador, com uma passagem excelente pelo Boavista, onde venceu 3 Taças de Portugal(1974/75, 1975/76 e 1978/79) e foi vice-campeão nacional (1975/76) e outra bela passagem pelo F.C. Porto, onde foi campeão nacional (1977/78), venceu outra Taça de Portugal(1976/77) e foi finalista vencido de mais outra (1977/78). O seu pai esteve presente em 5 finais consecutivas da Taça de Portugal, tendo vencido 4! Poucos jogadores do futebol português se podem gabar desse feito. O seu pai foi ainda 4 vezes internacional pela Selecção Nacional A. Pode, pois, orgulhar-se do bonito palmarés do seu pai. Parabéns e um abraço.

Gustavo disse...

Outro filho de jogador! Zezinho de seu nome Francisco Andrade é o meu pai. Um abraço e parabéns pelo bom trabalho.

ALEXANDRE disse...

Como adepto e sócio do Sporting, vi jogar muitas vezes o seu pai, sobretudo no antigo estádio José Alvalade. Foi, de facto, para mim, um bom defesa central, que teve uma carreira bonita ao serviço do Sporting, onde jogou durante 11 épocas (entre 1974/75 e 1984/85), tendo sido duas vezes Campeão Nacional (1979/80 e 1981/82) e venceu duas Taças de Portugal
(1977/78 e 1981/82). Parabéns e um abraço.