sábado, 3 de outubro de 2009

GRIFFITH-JOYNER, Florence (EUA, Atletismo)

Florence Griffith-Joyner nascida a 21 de Dezembro de 1959, em Los Angeles (EUA), foi a maior velocista norte-americana de todos os tempos e uma das melhores atletas de sempre da História do Atletismo Mundial, sendo, ainda hoje, a recordista mundial dos 100 metros, cuja marca de 10,49 segundos parece quase impossível de bater, pelo menos, nos tempos mais próximos.
Florence teve aquilo a que se pode chamar uma carreira simultaneamente fulgurante e meteórica, a qual durou pouco mais de 4 anos, embora o tempo suficiente para ficar na História dos Jogos Olímpicos e do Atletismo Mundial, ao conquistar, nomeadamente, 4 medalhas nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988.
Com efeito, a atleta norte-americana alcançou vitórias e marcas incríveis apenas numa única temporada, a de 1988, na qual se sagrou tricampeã olímpica, triunfando nas provas de 100 metros, 200 metros e na estafeta de 4 x 100 metros, às quais acrescentou, ainda, a conquista da medalha de prata na estafeta de 4 x 400 metros.
Antes de 1988, muito embora já fosse uma das melhores sprinters dos Estados Unidos, o palmarés de Florence apresentava apenas duas medalhas de prata, ambas conquistadas na prova de 200 metros, uma nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984, e a outra nos "Mundiais" de Atletismo de Roma, em 1987; nesta última competição alcançou também a medalha de ouro na estafeta de 4 x 100 metros.
Na verdade, até então, muita da notoriedade alcançada por Florence advinha do facto de ser orientada pelo conceituado técnico Bob Kersee (marido de Jackie Joyner), de usar as unhas muito compridas e pintadas e, ainda, de envergar equipamentos extravagantes. Após alguns altos e baixos na sua carreira, que a fizeram, inclusivamente, abandonar temporariamente o atletismo, Florence regressou às pistas incentivada por Bob Kersee e motivada, entretanto, pelo seu casamento, em 1987, com o então campeão olímpico do triplo salto, Al Joyner (irmão de Jackie Joyner).
Quando se iniciou a fase de preparação da época olímpica para os Jogos de 1988, Flo-Jo, como era carinhosamente conhecida, surgiu melhor do que nunca, com a alma transfigurada e o corpo transformado, mais forte, musculada e poderosa, passando até a correr de forma diferente da habitual. De facto, durante os meses que antecederam os Jogos de Seul, Florence treinou intensivamente, privilegiando a preparação física com halteres e as corridas de resistência, daí não espantando o corpo musculado qua a atleta exibiu na pista de Seul.
Nas provas norte-americanas de apuramento para os Jogos Olímpicos, disputadas em Indianápolis, Florence mostrou, logo naquele momento, encontrar-se numa forma físico-atlética e técnica fabulosa. Basta dizer que na prova de 100 metros, em 4 corridas, Flo-Jo bateu outras tantas vezes o anterior recorde mundial, melhorando-o em 27 centésimos de segundo!
Em Seul, Florence Griffith-Joyner confirmou os resultados alcançados anteriormente no hectómetro, conquistando a medalha de ouro com a marca de 10,54 segundos. No duplo hectómetro, fez o tempo de 21,34 segundos, retirando 30 centésimos de segundo ao máximo mundial! Mesmo na estafeta de 4 x 400 metros, Florence efectuou o último percurso da volta à pista no fantástico tempo de 48,07 segundos, cuja distância não era propriamente a sua especialidade.
Os tempos fabulosos alcançados pela velocista norte-americana e a forma aparentemente fácil como conquistou as 4 medalhas olímpicas em 1988 provocaram dois tipos de reacção em torno da fantástica performance de Florence: espanto e admiração, por um lado, dúvidas e suspeitas, por outro. Com efeito, um pouco por todo o mundo, os especialistas da modalidade (dirigentes, técnicos e jornalistas) começaram a desconfiar do rendimento extraordinário atingido pela atleta norte-americana em tão curto espaço de tempo.
Só para se ter uma ideia exacta do que representa o recorde de Florence nos 100 metros, basta afirmar, por exemplo, que em 1998 (ano da sua morte), a seguir à sua marca de 10,49 segundos, a 2ª mulher mais rápida, Marion Jones, possuía 10,65 segundos.
No início de 1989, de forma brusca e repentina e sem dar uma explicação plausível e convincente, Florence anunciou a retirada das pistas, facto este que levantou muitas interrogações acerca da verdade desportiva dos seus feitos e adensou ainda mais as suspeitas de doping em torno da atleta.
Florence Griffith-Joyner viria a falecer a 21 de Setembro de 1998, a 2 meses de completar 39 anos, vítima de morte súbita atribuída a uma paragem cardíaca. Até ao fim dos seus dias, nunca chegaram a ser provadas as suspeitas de doping que recaíam sobre Flo-Jo, continuando-se, até hoje, a especular sobre a verdadeira dimensão dos seus feitos e o seu real valor enquanto atleta.
Uma coisa é certa. Nunca uma atleta e, neste caso, uma campeã olímpica, terá suscitado tanta polémica, especulação, dúvidas e suspeitas em seu torno como Florence Griffith-Joyner suscitou ao longo da sua curta mas fabulosa carreira. Morreu a atleta, ficou o mito e a lenda!

Um comentário:

Rui Moura disse...

Pois... O Ben Johnson é que calculou mal a coisa e... foi pena, porque era absolutamente fabuloso.

Abraços Botafoguenses e Leoninos!