terça-feira, 31 de março de 2009

EDWARDS, Jonathan (Inglaterra, Atletismo)

Jonathan David Edwards, nascido a 10 de Maio de 1966, em Londres, foi um dos maiores atletas britânicos de sempre e o maior especialista de triplo salto de todos os tempos.
Edwards foi o primeiro atleta a saltar mais de 18 metros, sendo, ainda hoje, o detentor do recorde mundial do triplo salto, com a marca de 18,29 metros, alcançada em 1995, no Campeonato do Mundo de Atletismo de Gotemburgo (Suécia), cujo resultado lhe valeu a 1ª medalha de ouro em grandes competições internacionais.
Edwards já antes havia revelado todo o seu potencial, ao saltar, com vento ligeiramente anti-regulamentar, 18,43 metros! Aliás, antes de confirmar tudo o que dele se esperava, ao alcançar a marca de 18,29 metros, Edwards já era o recordista mundial do triplo salto, com 17,98 metros, marca esta alcançada num meeting, realizado em Salamanca, pouco tempo antes dos "Mundiais" de Gotemburgo.
Antes de se tornar num atleta de alta competição e de craveira internacional, Edwards formara-se em Física, em 1987, pela Universidade de Durham, tendo trabalhado, nos primeiros anos, num laboratório de investigação genética. Curiosamente, no início da sua carreira, devido às suas profundas convicções religiosas que o proíbiam, por exemplo, de competir ao domingo, Edwards esteve impossibilitado de participar em algumas provas importantes na sua especialidade.
Depois de mudar de atitude face a esta restrição, que o impedia de atingir a projecção desejada e de obter as vitórias que estavam ao seu alcance, logo em 1993, no Campeonato do Mundo de Atletismo de Estugarda (Alemanha), Edwards conquista a sua 1ª medalha em Campeonatos Mundiais, neste caso, a medalha de bronze, à qual se seguiria a conquista de mais 4 medalhas (duas de ouro, uma de prata e uma de bronze) em outras tantas edições consecutivas dos "Mundiais" de Atletismo: 1995 - Gotemburgo (medalha de ouro e recorde do mundo); 1997 - Atenas (medalha de prata); 1999 - Sevilha (medalha de bronze); 2001 - Edmonton, no Canadá (medalha de ouro).
Para além daquelas 5 medalhas conquistadas em Campeonatos do Mundo, pelo meio, Edwards viria a conquistar mais duas medalhas olímpicas, a 1ª de prata, nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, e a 2ª de ouro, nos Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000.
A juntar aos títulos de campeão olímpico e de bicampeão mundial, Edwards acrescentou ainda o título de bicampeão europeu, alcançado nas edições de 1998 e 2002 dos "Europeus" de Atletismo. Não é, pois, em vão que Jonathan Edwards em vão
O palmarés de Edwards é, de facto, impressionante, pois, para além de ser o detentor do recorde do mundo da especialidade e também lhe pertencerem 5 dos 6 melhores ensaios de sempre do triplo salto, há ainda a acrescentar a conquista de 9 medalhas em 10 anos de competição ao mais alto nível, entre 1993 (ano da sua 1ª medalha) e 2003 (ano em que se retirou da competição).
Não é, pois, em vão, que Jonathan Edwards é unanimemente considerado o maior triplista da História do Atletismo e um dos maiores atletas britânicos de todos os tempos.

quarta-feira, 25 de março de 2009

EDBERG, Stefan (Suécia, Ténis)

Stefan Edberg, nascido a 19 de Janeiro de 1966, em Vastervik, na Suécia, foi um dos maiores tenistas suecos de todos os tempos e um dos melhores tenistas mundiais da década de 80 e início da década de 90.
Stefan Edberg formou com os compatriotas Bjorn Borg e Mats Wilander o triunvirato dos maiores tenistas suecos de sempre, tendo Edberg, à semelhança dos seus 2 compatriotas, atingido igualmente o 1º lugar do ranking mundial.
Dentro dos courts, Edberg destacava-se pela elegância de movimentos e de gestos e pela técnica das pancadas com a raqueta, executando, em particular, um vólei de esquerda considerado como um dos melhores de sempre da história do ténis.
Juntamente com o norte-americano John McEnroe, Edberg foi o único tenista a tornar-se número um, quer em singulares, quer em pares. Edberg detém, ainda, o recorde de 54 presenças consecutivas em torneios do Grand Slam, entre 1983 e 1996.
Em 1983, ainda como júnior, Edberg ganhou as 4 provas do Grand Slam. Já como profissional sénior, esteve prestes a repetir aquela proeza, mas foi derrotado pelo norte-americano Michael Chang, na final de Roland Garros de 1989, cujo torneio é, aliás, o único dos majors que lhe faltou conquistar.
Com efeito, Edberg venceu, sempre por duas vezes, os outros 3 torneios do Grand Slam: em 1985 e 1987, triunfou no Open da Austrália; em 1988 e 1990, triunfou em Wimbledon; em 1991 e 1992, triunfou no Open dos Estados Unidos. Em singulares, Edberg conquistou um total de 42 títulos ATP, dos quais 6 do Grand Slam (como atrás se indicou) e 1 dos Masters. Em pares, ganhou 18 títulos ATP, dos quais 3 do Grand Slam e 2 dos Masters.
Em representação do seu país, Edberg ajudou a Suécia a ganhar a Taça Davis em 4 ocasiões (1984, 1985, 1987 e 1994). A juntar a todos estes títulos, quer individuais, quer colectivos, Edberg acrescentou ainda a conquista de 3 medalhas olímpicas: uma de ouro (em singulares), obtida nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984 e duas de bronze (uma em singulares e outra em pares) obtidas nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988.
Perante tão rico palmarés, não é, pois, de estranhar que Stefan Edberg figure, com inteira justiça e mérito, na galeria dos maiores tenistas mundiais do século XX.

quinta-feira, 19 de março de 2009

DYKEN, Amy Van (EUA, Natação)

Amy Van Dyken, nascida a 16 de Fevereiro de 1973, nos EUA, foi uma das grandes nadadoras da história da natação dos EUA, tendo-se tornado na 1ª atleta norte-americana a ganhar 4 medalhas de ouro numa só edição dos Jogos Olímpicos, mais concretamente nos Jogos de Atlanta.
Com efeito, em 1996, no ano do centenário dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, realizados no seu país, Amy Van Dyken, alcançou um feito inédito para o desporto e, em particular, para a natação feminina norte-americana, conquistando 4 títulos olímpicos e fazendo uma demonstração cabal e convincente de competitividade e polivalência nas piscinas de Atlanta.
A versatilidade revelada por Amy Van Dyken ficou demonstrada nas 4 vitórias alcançadas (duas colectivamente e duas individualmente) em diferentes distâncias e estilos. Assim, a nadadora norte-americana triunfou como elemento integrante das estafetas vencedoras de 4 x 100 metros livres e de 4 x 200 metros estilos, vencendo ainda as provas de 100 metros mariposa e de 50 metros livres.
Se os 3 primeiros triunfos, por parte de Dyken, eram mais ou menos esperados, podendo até considerar-se normais, já a vitória alcançada nos 50 metros livres causou uma enorme surpresa, espantando tudo e todos, ao derrotar, por escassos centésimos de segundo, a forte concorrência das nadadoras chinesas.
Na edição seguinte dos Jogos Olímpicos, realizados em Sidney, no ano 2000, Amy Van Dyken voltou a estar presente e, mais uma vez, voltou a ser campeã olímpica, agora na estafeta de 4 x 100 metros livres, conquistando, assim, um total de 5 medalhas de ouro em duas participações nos Jogos.
Para a história dos Jogos Olímpicos fica a conquista, por parte desta atleta (que aos 14 anos escolheu a natação para combater a asma!), de 4 medalhas de ouro numa só edição dos Jogos, feito este nunca antes alcançado por uma desportista norte-americana.

sábado, 14 de março de 2009

DUJSHEBAEV, Talant (ex-URSS, Andebol)

Talant Dujshebaev Mukhanbetov, nascido a 2 de Junho de 1968, em Bishkek, no Quirguistão (antiga república socialista soviética), foi o maior andebolista russo de todos os tempos e um dos melhores jogadores mundiais de sempre da modalidade.
Dujshebaev jogava na posição de central e, apesar de possuir uma estatura média, tinha um grande poder de impulsão e uma capacidade de remate fora de série, sendo ainda dotado de uma grande rapidez de movimentos, características estas que fizeram dele o melhor jogador do mundo na sua posição.
Dujshebaev jogou em 4 clubes de 3 países da Europa: na Rússia, no CSKA de Moscovo; na Alemanha, no Nettelstedt Minden; em Espanha, no Teka Cantabria e no Ciudad Real. Ao serviço destas equipas, ganhou tudo o que havia para ganhar em matéria de títulos importantes a nível de clubes. Senão vejamos: venceu uma Taça dos Campeões Europeus e uma Liga dos Campeões; ganhou duas Taças das Taças; conquistou uma Taça EHF e uma Supertaça Europeia; venceu duas Ligas soviéticas e 3 Ligas espanholas; ganhou ainda uma Supertaça de Espanha e 5 Taças ASOBAL.
Em 1995, Dujshebaev trocou a nacionalidade russa pela espanhola, passando, naturalmente, a representar a Selecção de Espanha, fortalecendo de que maneira a sua principal selecção de andebol. Ainda antes de se naturalizar espanhol, Dujshebaev já havia sido Campeão do Mundo de Andebol, pela Rússia, em 1993 e tinha conquistado a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, ao serviço da então denominada CEI (Comunidade de Estados Independentes).
Ao serviço da selecção espanhola, Dujshbaev enriqueceu ainda mais o seu, já de si brilhante, palmarés, indicando-se a seguir as classificações alcançadas por si e pela Selecção de Espanha nas mais importantes competições internacionais de andebol a nível de Selecções: medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996 e nos Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000; vice-campeão da Europa em 1996, no Europeu de Espanha e em 1998, no Europeu de Itália; 3º classificado no Campeonato da Europa de 2000, na Croácia; 7º classificado no Campeonato do Mundo de 1997, no Japão; 4º classificado no Campeonato do Mundo de 1999, no Egipto; 5º classificado no Campeonato do Mundo de 2001, em França.
Dujshbaev foi eleito, por duas vezes, o melhor jogador do Mundo, em 1994, ainda ao serviço da selecção da Rússia, e em 1996, então já ao serviço da selecção espanhola, tendo sido também considerado o 2º melhor jogador do século e o jogador mais rápido do Mundo.

domingo, 8 de março de 2009

DRECHSLER, Heike (ex-RDA, Atletismo)

Heike Drechsler, nascida a 16 de Dezembro de 1964, em Gera, na antiga República Democrática Alemã, foi uma das maiores atletas de todos os tempos e uma das melhores especialistas mundiais de sempre, quer na prova de salto em comprimento, quer nas provas de velocidade (100 e 200 metros).
Foi, no entanto, na especialidade de salto em comprimento, que Heike Drechsler mais se destacou e atingiu projecção mundial, tendo conquistado, nesta prova, um total de 8 medalhas de ouro em grandes competições internacionais, sagrando-se bicampeã olímpica, bicampeã mundial e tetracampeã europeia daquela especialidade.
A carreira desportiva de Drechsler pautou-se por uma grande longevidade e regularidade exibicional, tendo ao longo de mais de duas décadas, construído um fabuloso palmarés, no qual se contabiliza um total de 17 medalhas conquistadas em Campeonatos da Europa, Campeonatos do Mundo e Jogos Olímpicos.
Em 1977, então com 13 anos, Drechsler enveredou pelo atletismo, especializando-se, desde logo, nas provas de salto em comprimento e velocidade. Ainda com 13 anos, começou por saltar uma distância de 5,69 metros. A partir daí, a progressão de Drechsler no salto em comprimento foi verdadeiramente notável, pois aos 15 anos já saltava 6,64 metros e com 17 anos ultrapassava, pela 1ª vez, a marca de 7 metros.
Aos 19 anos, ainda com idade de júnior, Drechsler alcança a sua primeira grande vitória em grandes competições internacionais, conquistando a medalha de ouro na prova de salto em comprimento, e logo na 1ª edição dos Campeonatos do Mundo de Atletismo, realizados em Helsínquia, em 1983.
A partir de 1983, e durante cerca de 17 anos, Heike Drechsler construiu uma carreira fantástica, alcançando vitórias atrás de vitórias e conquistando vários títulos e medalhas nas principais competições mundiais de atletismo. Após a queda do Muro de Berlim, em 1989, e a consequente unificação alemã, Drechsler tornou-se num símbolo e numa referência incontornável do desporto alemão e, em particular, do atletismo, constituindo um verdadeiro exemplo para os mais jovens, em termos da promoção dos valores e ideais desportivos: espírito de sacrifício, vontade de vencer e respeito pelos adversários.
Vejamos, mais em pormenor, o palmarés fabuloso desta extraordinária atleta:

1983 - Campeonato do Mundo de Atletismo de Helsínquia: medalha de ouro no salto em comprimento;
1986 - Campeonato da Europa de Atletismo de Estugarda: medalha de ouro no salto em comprimento e nos 200 metros;
1987 - Campeonato do Mundo de Atletismo de Roma: medalha de prata nos 100 metros e medalha de bronze no salto em comprimento;
1988 - Jogos Olímpicos de Seul: medalha de prata no salto em comprimento e medalha de bronze nos 100 e 200 metros;
1990 - Campeonato da Europa de Atletismo de Split: medalha de ouro no salto em comprimento e medalha de prata nos 200 metros;
1991 - Campeonato do Mundo de Atletismo de Tóquio: medalha de prata no salto em comprimento e medalha de bronze na estafeta 4x100 metros;
1992 - Jogos Olímpicos de Barcelona: medalha de ouro no salto em comprimento;
1993 - Campeonato do Mundo de Atletismo de Estugarda: medalha de ouro no salto em comprimento;
1994 - Campeonato da Europa de Atletismo de Helsínquia: medalha de ouro no salto em comprimento;
1998 - Campeonato da Europa de Atletismo de Budapeste: medalha de ouro no salto em comprimento;
2000 - Jogos Olímpicos de Sidney: medalha de ouro no salto em comprimento.

A longa carreira de Drechsler foi também afectada por várias lesões que a obrigaram a parar por longos períodos de tempo, mas graças à sua perserverança, força de vontade e espírito de conquista, regressava sempre ao mais alto nível, mesmo depois dos 30 anos. Em 1996, uma lesão no joelho direito, impediu a atleta alemã de defender o seu título do salto em comprimento nos Jogos Olímpicos de Atlanta, mas 4 anos depois, na edição seguinte dos Jogos, Drechsler recuperou o título. Com efeito, nos Jogos de Sidney, em 29 de Setembro de 2000, a poucos dias de completar 36 anos, Drechsler sagrava-se bicampeã olímpica no salto em comprimento, com a sua melhor marca do ano, 6,99 metros.
Para além das 17 medalhas conquistadas, 8 delas de ouro - todas no salto em comprimento - Drechsler bateu por 3 vezes o recorde do mundo daquela especialidade e duas vezes o recorde do mundo dos 200 metros. No salto em comprimento, as suas duas melhores marcas foram alcançadas em 1988, com 7,48 metros, e em 1992, com 7,63 metros.
Após uma carreira recheada de vitórias, títulos, medalhas e recordes, em 2004, quase a completar 40 anos, Heike Drechsler despediu-se das pistas de atletismo, ficando para a história do atletismo mundial como uma das maiores especialistas de todos os tempos de salto em comprimento.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

DITYATIN, Aleksandr (ex-URSS, Ginástica)

Aleksandr Dityatin, nascido a 7 de Agosto de 1957, na antiga URSS, foi um dos maiores ginastas soviéticos de sempre, tendo atingido o ponto mais alto da sua carreira nos Jogos Olímpicos de Moscovo, em 1980, nos quais conquistou 8 medalhas, marca esta que, até 2008, nunca outro atleta havia igualado, numa única edição dos jogos.
Com efeito, Dityatin tornou-se na grande figura dos Jogos de Moscovo, ao conquistar 8 medalhas, das quais 3 de ouro, 4 de prata e uma de bronze. Só passados 28 anos, nos Jogos Olímpicos de Pequim, é que um atleta iria igualar este recorde de 8 medalhas, se bem que, desta vez, o atleta em questão, o nadador norte-americano Michael Phelps, tenha conquistado 8 medalhas de ouro!
Na edição de 1980 dos Jogos Olímpicos, Dityatin venceu o concurso geral, tanto individual como colectivamente, triunfando, ainda, no exercício de argolas. As 4 medalhas de prata foram obtidas nas paralelas, no salto de cavalo, na barra fixa e no cavalo com arções, tendo a medalha de bronze sido conquistada nos exercícios no solo.
Este ginasta soviético fez também história pelo facto de ter sido o primeiro atleta a justificar a nota máxima (dez), a qual lhe foi atribuída na prova de salto de cavalo. No entanto, Dityatin não seria o único a obter a pontuação máxima, uma vez que, ainda nesta edição dos Jogos, logo a seguir, 4 outros ginastas viriam a ser igualmente pontuados com a nota dez.
Em 1976, nos Jogos Olímpicos de Montreal, Dityatin já se tinha estreado nas medalhas, ao conquistar a medalha de prata no exercício de argolas. Curiosamente, na edição de 1976 dos Jogos Olímpicos, a grande figura da ginástica foi outro compatriota seu, Nicolai Andrianov, que viria a conquistar 7 medalhas, menos uma, porém, em relação às 8 obtidas por Dityatin, na edição seguinte dos Jogos.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

DEVERS, Gail (EUA, Atletismo)

Gail Devers, nascida a 19 de Novembro de 1966, em Seattle (EUA), foi uma das maiores atletas norte-americanas de sempre e uma das melhores velocistas mundiais de todos os tempos.
Gail Devers entrou para a história do atletismo e, em particular, dos Jogos Olímpicos, como a 2ª mulher, até hoje (a 1ª foi a atleta norte-americana, Wyomia Tyus, em 1964 e 1968), a conquistar 2 títulos olímpicos na prova de 100 metros, facto este ocorrido em duas edições consecutivas dos Jogos, em 1992 (Barcelona) e 1996 (Atlanta). Para além desta proeza já de si notável, Gail Devers é também a atleta que mais medalhas conquistou, até hoje, em grandes competições internacionais de atletismo, nada mais nada menos que 18 medalhas!
De facto, Gail Devers foi uma das mulheres mais rápidas de todos os tempos, quer nos 60 e 100 metros planos, quer nos 60 e 100 metros barreiras, sendo, de longe, a atleta que obteve mais vitórias e alcançou mais títulos naquelas quatro especialidades da velocidade.
Com efeito, Gail Devers era uma atleta bastante completa e versátil naquelas duas distâncias, com e sem barreiras, quer em pista ao ar livre, quer em pista coberta, revelando uma grande regularidade em termos de obtenção de excelentes marcas ao longo de mais de uma década ao mais alto nível. Para esta brilhante performance, muito contribuiu o intenso trabalho desenvolvido pela atleta orientado por Bob Kersee, o famoso treinador que também treinou a não menos famosa Florence Griffith-Joyner, tricampeã olímpica (100 metros, 200 metros e estafeta 4 x 100 metros) nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988.
Contudo, inicialmente, a carreira de Gail Devers, como atleta de alta competição, esteve seriamente ameaçada e o seu estado de saúde assumiu uma gravidade tal, ao ponto da atleta ter estado em risco de ver amputados parte dos seus membros inferiores, nomeadamente os pés, devido a um distúrbio raro da tiróide, conhecido como Doença de Graves.
Na verdade, no final de 1988, foi-lhe diagnosticada uma infecção grave na tiróide que lhe provocava, entre outros sintomas, tonturas constantes, extrema fadiga, perda de audição, de visão e de memória e diminuição brusca de peso. Numa fase mais complicada da doença, os seus pés chegaram a formar coágulos sanguíneos do tamanho de um limão, o que levou os médicos a ponderarem seriamente a hipótese de lhe amputarem os pés.
Graças a um tratamento e recuperação verdadeiramente espantosos e quase milagrosos, e fruto, igualmente, da sua extraordinária força de vontade, perseverança e elevado espírito de sacrifício, Gail Devers conseguiu vencer a doença e ultrapassar definitivamente este grave problema de saúde que chegou a pôr em risco a sua carreira desportiva e até a sua saúde como mulher.
Durante 2 anos (1989 e 1990), Gail Devers fez a sua "travessia do deserto" e ficou afastada das competições desportivas, submetendo-se, durante aquele período, a um intenso tratamento à base de radiações, medicação para a tiróide, dieta rigorosa e treinos específicos.
Depois de completamente recuperada e reabilitada para a prática desportiva e, em particular, para o atletismo de alta competição, Gail Devers teve um regresso notável às competições internacionais e, a partir de 1991, começou a acumular vitórias e títulos em grandes eventos mundiais, nomeadamente, em Campeonatos do Mundo de Atletismo (em pista ao ar livre e em pista coberta) e em Jogos Olímpicos, tendo, no conjunto de todas estas competições, conquistado um total de 18 (!) medalhas, das quais 13 de ouro e 5 de prata.
Vejamos, em pormenor, o seu fabuloso palmarés, enriquecido durante 13 anos, entre 1991 e 2004:
- 1991, Campeonatos do Mundo de Atletismo de Tóquio: uma medalha de prata (100 metros barreiras);
- 1992, Jogos Olímpicos de Barcelona: duas medalhas de ouro (100 metros planos e estafeta de 4 x 100 metros), tendo ficado apenas em 5º lugar na prova de 100 metros barreiras, devido ao facto de ter tropeçado no último obstáculo quando seguia na frente da corrida;
- 1993, Campeonatos do Mundo de Atletismo de Estugarda (Alemanha): duas medalhas de ouro (100 metros planos e 100 metros barreiras) e uma medalha de prata (estafeta de 4 x 100 metros);
- 1993, Campeonatos do Mundo de Atletismo (pista coberta) de Toronto (Canadá): uma medalha de ouro (60 metros planos);
- 1995, Campeonatos do Mundo de Atletismo de Gotemburgo (Suécia): uma medalha de ouro (100 metros barreiras);
- 1996, Jogos Olímpicos de Atlanta: duas medalhas de ouro (100 metros planos e estafeta de 4 x 100 metros), tendo voltado a falhar a conquista de uma medalha nos 100 metros barreiras, ficando, desta vez, em 4º lugar, muito perto do pódio;
- 1997, Campeonatos do Mundo de Atletismo de Atenas: uma medalha de ouro (estafeta de 4 x 100 metros);
- 1997, Campeonatos do Mundo de Atletismo (pista coberta) de Paris: uma medalha de ouro (60 metros planos);
- 1999, Campeonatos do Mundo de Atletismo de Sevilha: uma medalha de ouro (100 metros barreiras);
- 1999, Campeonatos do Mundo de Atletismo (pista coberta) de Maebashi (Japão): uma medalha de prata (60 metros planos);
- 2001, Campeonatos do Mundo de Atletismo de Edmonton (Canadá): uma medalha de prata (100 metros barreiras);
- 2003, Campeonatos do Mundo de Atletismo (pista coberta) de Birmingham (Inglaterra): uma medalha de ouro (60 metros barreiras);
- 2004, Campeonatos do Mundo de Atletismo (pista coberta) de Budapeste (Hungria): uma medalha de ouro (60 metros planos) e uma medalha de prata (60 metros barreiras).
Entre 1993 e 1996, Gail Devers venceu 16 finais consecutivas de 100 metros barreiras, na verdade a sua especialidade favorita, em relação à qual, porém, fica um certo sabor amargo e a frustração de não ter sido campeã olímpica. Na memória de todos quantos tiveram o privilégio e o prazer de assistir às exibições e às corridas de Gail Devers, ficará eternamente gravada a imagem de marca da atleta, isto é, as enormes unhas das mãos, que de tão compridas encurvavam, parecendo-se com as garras de uma fera!
O longo e extraordinário percurso desportivo e o fabuloso palmarés que Gail Devers construiu só se tornou possível devido ao seu espírito positivo e vencedor, nunca desistindo de lutar, nem perdendo a esperança, pois como ela própria afirmou um dia, "se alguém acredita que os sonhos se transformam realidade, esse alguém sou eu".